Luciano Carlos Cunha[1]
Sumário:
- 1. Introdução
- 2. Vieses que contribuem para uma negligência das questões relacionadas ao futuro
- 3. Vieses que contribuem para não se levar em conta o valor/desvalor esperado
- 4. Confiança em intuições
- 5. Vieses que contribuem para uma negligência dos riscos-s
- 5.1. Especismo
- 5.2. Viés de otimismo e viés pró inovação
- 5.3. Substratismo
- 5.2. Wishful thinking (pensamento desejoso)
- 5.3. Desaparecimento da compaixão
- 5.4. Viés de proporção
- 5.5. Digitalização de crenças
- 6. Conclusões
1. Introdução
Neste texto abordaremos vieses que podem influenciar a darmos pouca importância às questões éticas relacionadas ao longo prazo e também aos efeitos de longo prazo de nossas decisões, o que afeta também o planejamento de estratégias de ativismo, seja lá em que causa.
Veremos também os vieses que podem influenciar mesmo pessoas que se preocupam com questões relacionadas ao longo prazo a negligenciarem especificamente a questão dos riscos-s, que são os riscos de que no futuro o sofrimento seja multiplicado a níveis astronômicos, tornando o sofrimento existente atualmente “um grão de areia” em comparação.
A presença desses vieses pode explicar por que mesmo pessoas que se preocupam com o futuro em longo prazo tendem a focar em riscos-x (que são os riscos de extinção da humanidade) e a darem pouca ou nenhuma importância aos riscos-s.
2. Vieses que contribuem para uma negligência das questões relacionadas ao futuro
Os vieses a seguir nos inclinam a negligenciarmos questões relacionadas ao futuro:
Viés temporal. Consiste em dar um peso menor a um evento quanto mais distante no futuro ele estiver. Na base do viés temporal é possível que esteja o egoísmo, nos induzindo a dar um peso menor a aquilo que está distante de nós (é como se pensássemos que a época atual é mais importante porque estamos nela).
Heurística de disponibilidade. Consiste em pensar que os casos dos quais lembramos com mais facilidade são necessariamente os mais representativos. Esse viés também provavelmente desempenha um papel na negligência de questões relacionadas ao futuro, pois os casos concretos de que nos lembramos, obviamente, não dizem respeito ao futuro. Assim, por exemplo, quando as pessoas pensam em quais situações contém a maior quantidade de seres sencientes que suas decisões poderiam afetar, normalmente o que lhes vêm à mente são situações do momento presente.
Efeito adesão. Como a maioria das pessoas se preocupa apenas com (ou dá maior peso ao) curto prazo, temos uma tendência a fazer o mesmo. Isso é facilitado pelo viés do conservadorismo das crenças, que nos inclina a resistir abandonar nossas crenças prévias.
Negligência da duração. Esse viés consiste na tendência em negligenciar a duração de um evento na hora de avaliar o quão bom ou ruim ele é. O futuro em longo prazo poderá ter uma extensão vastíssima (e, portanto, conter um número astronomicamente maior de seres sencientes). A viés de negligência da duração pode fazer com que isso não seja levado em conta quando as pessoas avaliam a importância do futuro.
Viés do presente. Tendência de escolher retornos mais imediatos em vez dos retornos que virão mais tarde no futuro, mesmo quando os retornos imediatos são menores[2].
Viés de avaliação. Faz com que pensemos que aquilo que é mais fácil avaliar também é mais importante[3]. Como as consequências de curto prazo são mais fácil de serem estimadas, esse viés pode inclinar as pessoas a pensarem que elas são mais importantes, ou que necessariamente teremos um impacto mais positivo se priorizarmos o curto prazo. Ao fazerem isso, não estão calculando bem o valor/desvalor esperado da decisão. Isso será melhor explicado a seguir.
3. Vieses que contribuem para não se levar em conta o valor/desvalor esperado
O valor/desvalor esperado de um cenário é obtido multiplicando-se o quão bom/ruim é o cenário pela sua probabilidade de ocorrer. Os vieses a seguir tendem a influenciar a não considerarmos o valor/desvalor esperado de eventos de longo prazo na hora de decidir sobre prioridades e estratégias. Alguns desses vieses induzem a negligenciarmos a probabilidade, enquanto outros induzem a negligenciarmos o quão bom ou ruim é o cenário.
Negligência da probabilidade. Tendência de desconsiderar a probabilidade ao tomar uma decisão sob incerteza.
Efeito de ambiguidade. Tendência para evitar opções para as quais a probabilidade de um resultado favorável é desconhecida (ele ocorre devido à aversão à incerteza)[4].
Viés de risco zero. Preferência por reduzir um risco pequeno a zero em vez de uma redução maior em um risco maior[5]. Esse viés também está relacionado à preferência pela certeza absoluta, nos inclinando a optar por situações em que podemos eliminar completamente o risco, em detrimento de alternativas que possam realmente oferecer mais benefícios.
Negligência ou insensibilidade ao escopo. Tendência de não levar em conta o tamanho de um problema ao avaliá-lo. Por exemplo, estar disposto a pagar o mesmo valor para salvar 2.000 indivíduos ou 20.000 indivíduos (ou mesmo pagar mais para salvar menos).
4. Confiança em intuições
Um dos principais motivos pelos quais os vieses exercem tanta força sobre nós é que eles são altamente intuitivos: à primeira vista possuem a aparência de serem raciocínios evidentemente corretos, apesar de não serem. É por esse motivo que a confiança em intuições está entre os principais fatores que fazem com que sigamos vieses.
O que estamos a chamar aqui de intuições são aquelas respostas automáticas que temos quanto a uma questão antes de avaliá-la criticamente. Em certos casos, uma intuição pode dizer respeito a descrever os fatos. Por exemplo, as pessoas de séculos atrás tinham a intuição de que o sol girava em torno da Terra. Em outros casos, uma intuição pode dizer respeito a avaliar o que devemos fazer. Por exemplo, a maioria das pessoas têm a intuição de que os humanos merecem maior consideração, e de que não devemos nos preocupar com a maneira como nossas decisões afetam os seres sencientes que existirão em um futuro distante.
Isso não significa que uma intuição está necessariamente errada. É possível que, após análise minuciosa, concluamos que temos boas razões para manter a crença inicial. Entretanto, uma intuição também pode ser simplesmente um preconceito que possui a aparência de estar correto simplesmente porque acreditamos nele por muito tempo, porque todo o restante da sociedade o aceita, ou porque nosso cérebro possui a tendência de acreditar nele. Em resumo, o fato de um pensamento nos despertar um sentimento forte de que está correto não é, por si só, uma razão para pensarmos que ele está correto. Aliás, pelo contrário: é uma razão para testá-lo em dobro, pois o próprio sentimento forte de que está correto pode ser um dos motivos pelos quais não percebemos que está errado.
A palavra intuição é utilizada por vezes com um sentido diferente, como sinônimo daquelas crenças que não são derivadas de outras. Por exemplo, imagine que alguém me pergunte por que evitei de esbarrar meu cotovelo na mesa, e eu responda que é porque sentirei dor se esbarrar. Imagine que a pessoa então me pergunte por que quero evitar sentir dor, e eu responda que é porque ela é uma experiência negativa. Imagine que então a pessoa me pergunte por que quero evitar uma experiência negativa, e eu responderei que é pelo próprio fato de ser negativa, e ponto final. Algumas pessoas diriam que a afirmação “eventos negativos geram razões para serem evitados” é uma intuição, no sentido de que é onde a justificação chega a um fim, uma afirmação que não é derivada de outra.
Entretanto, esse é um sentido diferente da palavra. Uma crença pode ser uma intuição nesse segundo sentido sem sê-lo no primeiro. Por exemplo, pode ser que alguém tenha testado a crença “eventos negativos geram razões para serem evitados” e continue a mantê-la por não ter encontrado nenhuma boa razão para rejeitá-la (nesse caso, não seria mais uma intuição no sentido de ser uma resposta automática que não foi submetida a escrutínio). No que se segue utilizaremos a palavra intuição sempre como sinônimo de resposta automática.
Uma das razões pelas quais intuições estão tão ligadas a vieses é que normalmente elas geram sentimentos fortes correspondentes (seja por termos acreditado naquilo por muito tempo, seja porque a maioria das pessoas também a mantêm, seja por conta de uma tendência biológica). Por outro lado, o exame minucioso e a conclusão de que determinados princípios são plausíveis, logo de início pode não gerar um sentimento forte correspondente. Por exemplo, considere princípios como a igual consideração de todos os seres sencientes e a imparcialidade temporal. Mesmo muitas das pessoas que aceitam esses princípios ainda não os internalizaram e, portanto, tais princípios tem implicações que lhes parecem contraintuitivas, principalmente em termos do que priorizar. Portanto, confiar nas intuições pode impedir de sermos eficientes em ajudar.
Entretanto, com o tempo de prática, também é possível que esses princípios que inicialmente tinham conclusões que nos soavam contraintuitivas comecem a gerar respostas emocionais também (e, então, nossas intuições comecem a mudar). Por exemplo, suponhamos que alguém conclua que é injustificável dar um menor peso ao bem de seres que existirão no futuro mas que, de início, essa conclusão não gera um sentimento de indignação diante da negligência dessa questão. É possível que, com o passar dos anos de aplicação desse princípio, a resposta emocional vá aumentando, e o que soe estranho é não dar igual peso ao bem dos seres sencientes futuros.
5. Vieses que contribuem para uma negligência dos riscos-s
Riscos-s são riscos de que o sofrimento existente atualmente seja multiplicado no futuro em muitas ordens de magnitude. Todos os vieses que vimos acima podem contribuir para uma negligência em relação à preocupação com os riscos-s, uma vez que são vieses que nos inclinam a negligenciarmos questões relacionadas ao futuro.
Entretanto, curiosamente, a discussão sobre riscos-s é relativamente rara mesmo entre pessoas que tem como meta a preocupação com o futuro em longo prazo. Essas pessoas tendem a focar, por exemplo, em riscos-x (que são os riscos de extinção da humanidade ou de, pelo menos, da civilização). A seguir estão alguns vieses que podem influenciar especificamente uma negligência em relação aos riscos-s[6].
5.1. Especismo
Como a esmagadora maioria dos indivíduos que poderão vir a ser prejudicados caso um risco-s venha a se concretizar não pertencem à espécie humana, a tendência a se dar um peso menor ao bem de indivíduos que não pertencem à espécie humana (ou mesmo a desconsiderá-los completamente) provavelmente é uma das coisas que mais contribui para a negligência em relação aos riscos-s.
5.2. Viés de otimismo e viés pró inovação
O viés de otimismo é a tendência para ser demasiado otimista, subestimando enormemente a probabilidade de resultados indesejáveis .
Já o viés pró-inovação é a tendência de se ter um otimismo excessivo em relação à utilidade de uma invenção ou inovação, não conseguindo identificar as suas limitações e fraquezas.
Esses dois vieses em conjunto podem fazer com que as pessoas sejam excessivamente confiantes em relação ao futuro, especialmente em relação ao impacto de novas tecnologias. Por exemplo, podem fazer com que as pessoas negligenciem fortemente a possibilidade de as tecnologias futuras multiplicarem o sofrimento a níveis gigantescos.
Entretanto, também é preciso levar em conta que há vieses que podem influenciar na direção oposta, nos inclinando a superestimarmos a escala e a probabilidade dos riscos-s. Um exemplo é o viés de pessimismo. Como observado por Baumann (2022, p. 45,6), a maioria das pessoas acha mais interessantes pensar sobre cenários extremos do que cenários mais comuns (é por isso que a ficção científica sobre cenários distópicos é tão popular). Entretanto, em relação à maioria das pessoas, parece que o viés maior é em direção a se desconsiderar os riscos-s do que de uma preocupação excessiva com eles.
5.3. Substratismo
Até o momento, pelo que sabemos, todo ser senciente pertence ao reino animal. Entretanto, é possível que isso venha a mudar no futuro. Se a senciência aparecer toda vez que a matéria estiver organizada em determinadas configurações, independentemente do material que compõe essa matéria, então talvez no futuro venham a existir seres sencientes não orgânicos (em meios digitais, por exemplo). Isso poderá ocorrer se no futuro esses meios estiverem configurados de modo a desempenhar as mesmas funções de um cérebro, por exemplo. Isso tudo é incerto, mas é uma possibilidade.
Se a senciência não orgânica for possível esses seres poderão vir a ser muito numerosos. Por exemplo, hoje em dia é fácil copiarmos arquivos em computadores e na internet. Pode ser que no futuro venha a ser fácil produzir, por exemplo, simulações de universos inteiros em meios digitais, repletos de seres sencientes reais. Esses seres, apesar de sencientes, poderão ter comportamentos muito diferentes dos seres sencientes que conhecemos hoje. Poderão não ter rostos, nem gritar. Poderá ser então difícil sentir empatia por eles, e esses seres sofrerem como sofrem hoje os animais não humanos (ou talvez até algo pior). Por exemplo, os animais não humanos já são muito mais similares aos humanos em termos de comportamento e expressões e, ainda assim, a maioria das pessoas os desconsidera.
Assim, uma tendência que pode aumentar significativamente os riscos-s no futuro é o carbonismo. Assim como o antropocentrismo é uma forma de especismo, que desfavorece tendenciosamente quem não pertence à espécie humana, o carbonismo é uma forma de substratismo, que desfavorece tendenciosamente quem não é orgânico.
Por essa razão, é extremamente importante enfatizar que devemos considerar os animais não humanos porque são sencientes, e não, porque são animais, porque são organismos naturais, porque são seres vivos ou por qualquer outro motivo. Isso aumentará as chances de as pessoas virem a considerar outros tipos de seres sencientes no futuro, caso vierem a existir.
5.2. Wishful thinking (pensamento desejoso)
Wishful thinking: é a tendência de pensar que aquilo que gostaríamos que fosse verdade é verdade.
Gostaríamos que o futuro fosse maravilhoso. Então, pensar que é possível que venha a ser terrível pode ser perturbador. Por isso, buscar prevenir riscos-s pode não ser inspirador como pensar em um futuro maravilhoso ou em ajudar indivíduos agora. Então, com observado por Baumann (2022, p. 42), por causa disso pode haver uma tendência de as pessoas se afastarem desse tema, especialmente se elas próprias estão em situações seguras.
5.3. Desaparecimento da compaixão
O viés desaparecimento da compaixão nos inclina a darmos cada vez menos importância a uma questão dependendo do quanto mais vítimas ela envolva. Podemos reconhecer que uma catástrofe de larga escala é muito pior, mas em termos de sentimentos, tendemos a não captar o quão ruim ela é em proporção ao seu tamanho e, consequentemente, tendemos a não dar a devida importância ao problema em questão.
Como a questão dos riscos-s é, de todas, a que potencialmente afetaria o maior número de vítimas, considerações sobre riscos-s normalmente não geram o sentimento que gera uma única vítima identificável (ainda mais por envolverem vítimas que ainda não existem).
5.4. Viés de proporção
O viés de proporção nos inclina a medirmos a eficácia de uma intervenção em termos do quanto o seu resultado representa da porcentagem total do problema que ela aborda, em vez de medi-la com base benefício produzido. Por exemplo, esse viés pode inclinar alguém a pensar que é melhor usar certo recurso para ajudar 10 vítimas de um problema com 100 vítimas (pois são 10%) do que usá-lo para ajudar 100 vítimas de um problema com 2000 vítimas (pois são 5%). Nesse caso, a pessoa ajudaria 10 vezes menos vítimas achando que estaria ajudando o dobro (ou, pior, sabendo que está ajudando 10 vezes menos vítimas).
Assim como acontece no caso da negligência do sofrimento dos animais selvagens, o viés de proporção pode nos inclinar a negligenciar (ou mesmo a sermos contra) o foco no longo prazo e nos riscos-s. Por exemplo, poderia nos inclinar a pensar que, mesmo que consigamos beneficiar uma quantidade enormemente maior de indivíduos se focarmos no longo prazo, como o futuro em longo prazo é muito vasto, isso ainda representaria uma porcentagem ínfima do total de indivíduos que existirão ao longo do futuro. Isso poderia nos inclinar a pensar equivocadamente que vale mais a pena ajudar um quantidade muitíssimo menor de indivíduos de algum problema do presente ou do curto prazo, apenas porque representam uma porcentagem maior de vítimas do problema em que se encontram.
5.5. Digitalização de crenças
A digitalização de crenças é a tendência de pensar em probabilidades que são, ou 0, ou 1, em vez de levar em conta a incerteza.
Quando uma hipótese é improvável, as pessoas tendem a pensar que as chances de ela ocorrer são nulas, mesmo concordando que a hipótese não é negligível. Analogamente, uma hipótese plausível é normalmente tomada como garantida, mesmo quando há incerteza considerável. Então, alguém poderia descartar determinado risco-s por pensar equivocadamente que sua probabilidade é zero.
A digitalização de crenças também pode fazer-nos focar em um leque muito estreito de riscos-s, pois podemos estar excessivamente confiantes de que eles ocorrerão (por exemplo, por serem os riscos que nos chamam mais atenção, algo que tem a ver com o viés de saliência).
6. Conclusões
Dado esses vieses, não é surpresa que pouca gente se preocupe com o futuro em longo prazo e, sobretudo, com os riscos-s. Como vimos, mesmo pessoas preocupadas com o longoprazo tendem a negligenciar os riscos-s. Essa negligência é uma razão para investir recursos na divulgação e redução de riscos-s. Dado que esse tópico quase não foi abordado, podemos fazer um progresso significativo nele.
Uma estratégia importante para tentar lidar com a influência de vieses em geral, e em especial nesse caso, é tentar permanecer com a mente aberta, e praticar mudar de posição se surgirem novas evidências e argumentos que apresentem boas razões para mudarmos nossas prioridades e estratégias.
Notas:
[1] Doutor em Ética e Filosofia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina, coordenador geral no Brasil das atividades da organização Ética Animal (www.animal-ethics.org/pt). É autor dos livros Uma breve introdução à ética animal: desde as questões clássicas até o que vem sendo discutido atualmente (2021) e Razões para ajudar: o sofrimento dos animais selvagens e suas implicações éticas(2022). Publicou também capítulos em outras obras e artigos em periódicos especializados, que podem ser lidos aqui: https://ufsc.academia.edu/LucianoCunha. Contato: luciano.cunha@animal-ethics.org.
[2] Ver também https://thedecisionlab.com/biases/hyperbolic-discounting e https://en.wikipedia.org/wiki/Hyperbolic_discounting
[3] Sobre o viés de avaliação, ver CAVIOLA, L.; FAULMÜLLER, N.; EVERETT, J. A. C.; SAVULESCU, J.; KAHANE, G. The evaluability bias in charitable giving: Saving administration costs or saving lives? Judgment and Decision Making, v. 9, p. 303-315, 2014.
[4] Ver também https://en.wikipedia.org/wiki/Ambiguity_effect
[5] Ver também https://en.wikipedia.org/wiki/Zero-risk_bias
[6] Salvo alguns acréscimos, a lista apresentada aqui é, basicamente, um resumo da lista apresentada por BAUMANN, T. Avoiding the worst final: how to prevent a moral cathastrophe. Center for Reducing Suffering, 2022, p. 41-6).
A produção deste texto foi financiada pela organização Ética Animal.
