Luciano Carlos Cunha[1]
O veganismo é a prática de evitar prejudicar os animais não humanos. No que se refere à alimentação, adotar o veganismo implica em não consumir produtos de origem animal.
Por vezes é defendido que o veganismo só é praticável para quem tem muito dinheiro, alegando-se que os produtos veganos são mais caros.
O primeiro problema com esse argumento é que, se esse fosse o caso, ainda haveria razões para reivindicar que mais e mais pessoas fossem veganas, pois o aumento na demanda diminuiria o preço.
O segundo problema com o argumento é que viver de modo vegano não é mais caro do que viver de maneira não vegana. Legumes, verduras, frutas e grãos são normalmente mais baratos do que comida de origem animal.
É claro, há certos produtos veganos industrializados que são mais caros do que certos produtos de origem animal equivalentes (muito por conta da baixa demanda). Entretanto, não é necessário consumir tais produtos.
E, mesmo que alguém escolha fazê-lo, uma vez que deixou de comprar vários tipos de produtos de origem animal, é provável que sua compra total seja ainda menos dispendiosa do que seria com produtos de origem animal.
NOTAS
[1] Doutor em Ética e Filosofia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina, coordenador geral no Brasil das atividades da organização Ética Animal (www.animal-ethics.org/pt). É autor dos livros Uma breve introdução à ética animal: desde as questões clássicas até o que vem sendo discutido atualmente (2021) e Razões para ajudar: o sofrimento dos animais selvagens e suas implicações éticas(2022). Publicou também capítulos em outras obras e artigos em periódicos especializados, que podem ser lidos aqui: https://ufsc.academia.edu/LucianoCunha. Contato: luciano.cunha@animal-ethics.org.
A produção deste texto foi financiada pela organização Ética Animal.
